‘Nome sujo’ na praça? Saiba como quitar suas dívidas

Anotar rendas e gastos é fundamental para quem quer quitar os débitos

Nome sujo na praça, dívidas que parecem não ter fim, crédito negativo, falta de credibilidade entre amigos e familiares, e a sensação permanente de estar com a corda no pescoço eram pontos em comum na vida de Sérgio* e Rafaela*. Mas, agora isso faz parte do passado financeiro dos personagens desta reportagem. Depois de adotar algumas medidas, eles conseguiram eliminar as dívidas e a insônia.





A contabilista Rafaela sempre soube lidar com as contas alheias. No entanto, sempre foi difícil resistir às tentações das vitrines. “Quando eu ganhava um dinheirinho não perdia tempo e torrava tudo. Eu não sabia dizer não para os outros nem para mim mesma. As dívidas começaram com cartões de crédito. Fiz o primeiro empréstimo, depois outro empréstimo e aí tudo foi ladeira abaixo”, conta.

No auge de seus problemas, em 2002, as dívidas de Rafaela somavam R$ 23 mil. “Eu fazia dívidas para pagar dívidas. Perdi não só o crédito em bancos como também a confiança da minha família”, lembra. Foi aí que ela resolveu procurar ajuda e encontrou o grupo “Devedores Anônimos”, em São Paulo.

“Aprendi a planejar, ter metas, não aceitar abusos e a separar emoção do dinheiro. Comecei a me disciplinar, anotar meus gastos, ler sobre o assunto e negociar. Falta pouco para pagar o que eu devia (R$ 1 mil de uma dívida inicial que chegou a R$ 5 mil com juros e Rafaela ainda não conseguiu acordo com o credor) e não existem mais registros do meu nome em SPC ou Serasa”, acrescenta.

Nome limpo não foi a única meta alcançada por Rafaela. A contabilista realizou o sonho de conhecer a Inglaterra. “Comecei a juntar dinheiro, honrar credores, sustentar a casa e comprar Euro, à época custava aproximadamente R$ 4. Em um ano, desembarcava na Europa”, diz.

Compulsão financeira

Além da indisciplina com os gastos, Sérgio também sofria com a compulsão financeira, um transtorno marcado pela vontade sem controle de comprar, independentemente da necessidade e da condição financeira. “Cheguei a ter quatro cartões de crédito e uma dívida de R$ 30 mil. Meu salário era engolido pelo cheque especial e eu nunca conseguia quitar as faturas. Eu tinha perdido o controle por completo, não comprava nem por prazer, era compulsão. Cheguei a usar o nome da minha mãe para poder gastar mais e tentar pagar as contas”, afirma Sérgio, que não quis identificar sua profissão.

“Devo, não nego. Pago quando puder”. O dito popular deve ser lema dos endividados, segundo Sérgio. “É preciso assumir as dívidas, entrar em contato com o credor e negociar o pagamento. Tudo isso deve ser dentro do orçamento. Primeiro é preciso saber o que se ganha e o quanto se gasta para fazer um planejamento em cima disso e aliviar a pressão”, indica.

Apertar os cintos, sim. Viver na privação, não. “Se você não tem qualquer tipo de lazer ou deixa de comer bem, por exemplo, acaba ficando doente e gastando ainda mais”, declara Sérgio.

Atualmente, Sérgio está desempregado. Mas, segundo ele, a situação não se compara à época em que estava endividado. “Durante esse tempo consegui economizar e ainda tem a grana da rescisão. Vou aproveitar para tirar férias e definir o próximo passo da minha vida. Quero aproveitar para investir em algo”, conta.

Negociar é a alma do negócio

O grupo “Devedores Anônimos” esclarece que o sujeito endividado deve negociar e não aceitar juros abusivos. Além disso, é preciso estar preparado. “Eu tinha uma dívida inicial de R$ 900 que chegou a R$ 15 mil. Insisti em pagar apenas o valor inicial, foi uma ‘briga’ de aproximadamente um ano e meio até eu conseguir vitória e pagar apenas o que eu devia de fato, sem juros. Você não pode ter vergonha e nem aceitar maus tratos de determinados atendentes. Se tratam mal, desligue o telefone e procure a instituição financeira”, sugere Sérgio.

Dicas de quem entende do assunto

O professor Ricardo Rocha, especialista em finanças pessoais do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), em São Paulo, sugere alguns passos para eliminar as dívidas. Veja:

1. Consciência: Admita seu problema.

2. Planejamento: Anote suas fontes de renda e todas as despesas, incluindo dívidas junto a bancos e cartões de crédito. Organize-se.

3. Em busca de outra renda: Procure um serviço extra aos fins de semana ou horas livres do dia. O dinheiro pode ser pouco, mas servirá para pagar algumas de suas despesas.

4. Corte de despesas: Olhe com ‘pente fino’ todos os seus gastos e defina prioridades. Escolha entre o telefone fixo ou celular e evite ir ao restaurante constantemente.

5. Negociação: Não fuja dos credores. Vá atrás deles e negocie sua dívida. Peça desconto, faça proposta formal se necessário e seja firme ao pedir corte de juros. Diga o quanto você pode pagar. Tanto você quanto o credor querem resolver a situação.

6. Possibilidade de novo empréstimo: Se a dívida não for algo exorbitante para seu padrão de vida, faça um empréstimo – de preferência consignado – que dê para pagar todas as contas pendentes e esqueça outras dívidas como cheque especial e cartões de crédito.

7. Mudança de atitude: Economize, não gaste com coisas desnecessárias. Corte despesas que não acrescentam à sua vida. Procure lojas e supermercados mais baratos. Dessa forma, pode sobrar uma grana para pagar o que se deve.

8. Desapego: Se tem dois carros, venda um. Tem um carro quitado? Você pode vendê-lo e comprar um financiado posteriormente. Venda carro e tudo o que puder para fazer caixa sem precisar recorrer a empréstimos. Você ainda vai se livrar de outras despesas, como combustível, seguro e IPVA.

9. Cartão de crédito: Tenha apenas um e use-o somente para pagar o valor integral, sem parcelamentos, e acumular milhas para economizar em viagens.

10. Financiamento: Faça as contas. Ao comprar um veículo financiado em 48 vezes, você pode pagar o valor de dois. Economize por um tempo e compre à vista, se possível. Segundo o professor, é preferível comprar um carro novo básico ou um seminovo completo.

11. Viagens: Programe-se para viajar sem despesas ao voltar das férias. Guarde dinheiro e pague tudo à vista. Fique de olho nas promoções de passagens aéreas e hospedagens.

12. Antes da compra: Questione-se se realmente o seu orçamento comporta aquela dívida e se você realmente precisa daquele produto. Sempre faça as contas antes de comprar.

13. Longe das liquidações: Queima total e liquidação são proibidos para os endividados e aqueles que pretendem economizar. Segundo o professor Ricardo Rocha, normalmente essas “oportunidades imperdíveis” das lojas são um barco-furado. “O tamanho nunca é o seu, o estilo nada tem a ver com você e a cor não é a que você gosta. Então, comprar por quê?”.

*Os entrevistados pediram que seus nomes completos não fossem revelados.

fonte: Yahoo Noticias

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